segunda-feira, 18 de outubro de 2010

o elixir da vida em duas doses

Na velha China, há mais de dois mil anos, sabe-se que se destilavam bebidas de arroz. A origem da palavra Álcool vem da Sarracena. Com a destilação os árabes não procuravam obter bebidas alcoólicas, uma vez que estas são proibidas pela sua religião, mas sim buscavam o elixir da vida. As primeiras destilarias de que se tem conhecimento funcionavam na Síria, mais precisamente em Damasco, no ano de 990. Os primeiros destiladores eram alquimistas, ou melhor, pessoas consideradas malucas para a época. Nascido em 1206, Albertus Magnus tornou-se o primeiro grande alquimista da Europa e durante suas experiências descobriu “águas fortes destiladas” e chegou a ser acusado de ter um trato com o diabo.
Não se sabe ao certo como, quando e onde nasceu à palavra coquetel, o certo é que ela teve origem nos Estados Unidos. Há histórias e mais histórias, curiosidades e mais curiosidades, mas todas elas relacionam-se com as cores das penas do rabo de um belo, gordo e vaidoso galo. Dona de uma taverna em meados de 1750, Betsy Flanagan teria sido a inventora involuntária desta palavra. Sabe-se que seu estabelecimento era freqüentado por soldados franceses que serviam ao exército do general Washington. Em uma das inúmeras noites de bebedeiras, Betsy serviu aos seus clientes uma bebida a base de gim e suco de limão e por falta de um objeto para misturar a bebida, utilizou uma belíssima pena do rabo de um galo cujas cores cintilavam à luz das velas. Os soldados, galantes por natureza receberam esta encenação com aplausos entusiasmados, bradando “Vive lê coq´s tail, vive lê coq´s tail”. O curioso é que desta frase saiu a palavra Cocktail e em português é coquetel.
Betsy era uma mulher “caliente”. Dona de um par de seios volumosos, Betsy herdou a taverna de seu avô, um imigrante holandês que chegou aos Estados Unidos em 1690 e que com muito trabalho nas minas de extração de ouro e outros metais, juntou 50 moedas de ouro e comprou o estabelecimento. Betsy aprendeu desde cedo a tocar sua vida. Aos 13 anos seus pais foram mortos por bandidos do velho oeste. Sua família ficara resumida ao avô, já que sua avó falecera quando ela tinha seis anos. Betsy cresceu vendo o avô servir bebidas e apartar brigas diárias entre franceses e norte-americanos após muitas rodadas de cerveja. Aos 18 anos casou-se com Armando Cruz de la Vega, um ticano de tirar o fôlego que migrara para a América do Norte em busca de fortuna. Depois de quase três anos de muita união o amado de Betsy adoeceu vindo a falecer de tuberculose semanas depois. Linda e muito atraente Betsy superou mais esta perda ajudando seu avô no atendimento aos fregueses. Como se já não bastasse, três anos após a morte do marido, Betsy enterrou seu avô. Sozinha, dedicou-se a taberna, que após a encenação com a pena do rabo do galo, tornou-se a mais movimentada da região. Aos 33 anos, sozinha, Betsy tornara-se a mulher mais rica do lado Norte dos Estados Unidos e muitos eram seus pretendentes. Mesmo com toda fortuna arrecadada com muito suor atrás de um balcão, Betsy incrementou sua mistura de gim e limão e continuara a atender diariamente seus fiéis e apaixonados cliente. Em um copo de prata, Betsy misturava 100ml de gim com suco de dois limões sicilianos. Adicionava um pouco de melado de cana de açúcar e completava o copo com muito gelo picado. O drink deixava seus clientes, principalmente os franceses embriagados e muitas eram as cantadas disparadas contra aquela bela mulher.
Um belo dia, Betsy preparava-se para mais um dia de muito movimento na taberna, quando bate em sua porta um rapaz de cabelos longos, magro, estatura mediana e de rara beleza. Tratava-se de Antony Collins, um migrante americano vindo do sul do país. Apaixonado por poesia e música, o andarilho ouvira falar da fama da bela proprietária da taberna e sem excitar percorreu metade do país, ora montado no lombo de um cavalo, ora na carona de carroças de outros migrantes e também a pé, atrás daquela famosa mulher. Sujo e com fome, Antony convenceu (dizem que foi sua beleza rara), Betsy a passar aquela noite nos fundos da taberna. O belo rapaz ajudou no atendimento aos clientes naquela noite em troca de um banho quente, comida e roupas limpas. Naquela noite nasceu uma das mais lindas histórias de amor daquele tempo. Dias depois, Betsy e Antony já administravam juntos e apaixonados a taberna. Simpático e muito inteligente Antony só ajudou a aumentar a fortuna da amada. Para comemorar um ano da chegada de Antony a sua vida, Betsy resolveu homenagear seu amado perante todos os fregueses. Quando a taberna estava lotada, Betsy subiu no balcão do bar usando um vestido muito atraente e logo arrancou aplausos e gritos de todos. Com um copo de sua famosa mistura nas mãos a linda mulher prestou uma homenagem ao seu parceiro, batizando seu coquetel de TOM COLLINS, nome carinhoso que ela chamava seu amado. Emocionado com a homenagem, Antony pega um pouco de melado de açúcar, passa na borda de um copo de prata e vai ao encontro de sua amada. Com o copo nas mãos, Tom Collins aproxima o copo da boca de Betsy e molha seus lábios com o melaço da borda do copo e logo após beija-a apaixonadamente.
Aquela noite ficara marcada como o surgimento de um drink do amor, como muitas pessoas classificam o TOM COLLINS. Não há garantias de veracidade dos fatos acima relatados, mas quando envolve uma história de amor, pode-se dizer: “se non è vero è bem trovato”.

2 comentários:

  1. Ai sim heim...
    essa do Tom Collins eu nunca tinha ouvido.

    Grande Lelo, posta mais aê!!!

    Abraço, vindo a Floripa, sempre uma honra trabalhar com você.

    Quando tiver um tempo, se liga no meu humilde Blog...

    floripaflair.blogspot.com passa lá que te sirvo alguma coisa. Rs.

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